AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL DA ESCOLA BALÃO VERMELHO: CRITÉRIOS E PROCEDIMENTOS D

Considerando que a avaliação deva ocorrer mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento e aprendizagem das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental, conforme art. 31 da Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013, procuramos implementar na Educação Infantil do Balão Vermelho uma avaliação que seja verdadeiramente formativa, não somente para a criança, mas também para seus pais e professoras.


Propomos uma avaliação que oriente as crianças para a realização de seus trabalhos e de suas aprendizagens, ajudando-as a localizarem suas dificuldades e potencialidades, redirecionando-as em seus percursos.


Trata-se de uma avaliação focada na escuta atenta da criança, que lhe ajuda a aprender e a professora a ensinar. Para isso, observamos, registramos e analisamos os percursos educativos, a fim de compreendermos o vivido e obtermos dados que direcionem os próximos passos para a progressão do trabalho pedagógico e a trajetória da criança.


Com essa visão, chamamos esses registros de documentação pedagógica, tal como indicado por GANDINI E GOLDHABER[1] (2002, p. 150):

A documentação constitui uma ferramenta indispensável para que os educadores possam construir experiências positivas para as crianças, facilitando o crescimento profissional e a comunicação entre os adultos. A documentação serve para confirmar algo que nós consideramos relevante: dar prova disso e comunicá-lo.

Nessa concepção de avaliação, não cabem professores que trabalhem isolados, que não partilhem suas experiências, que não se sintam pertencentes a uma comunidade educativa. Ao contrário,

[...] devem descobrir formas de se comunicar e documentar as experiências evolutivas das crianças na escola. Devem preparar um fluxo constante de informação de boa qualidade dirigida aos pais, mas apreciada por crianças e professores. (GANDINI E GOLDHABER, 2002, p. 153 apud MALAGUZZI, 1998, p.69-70)

Utilizamos diferentes estratégias de documentação das observações que fazemos do percurso educativo das crianças nas dimensões individual e coletiva. Além das anotações das professoras acerca da escuta que fazem, também analisamos fotos e vídeo gravações de situações preciosas que revelam o vivido pelas crianças, objetos e falas que representam descobertas, jeitos de pensar, de se desenvolver, os comportamentos, reações e preferências.


Esse conjunto auxilia na interpretação e aproximação dos significados que as crianças atribuem às suas ações e produções, bem como seus processos de socialização e aprendizagem.


Vale ressaltar que a avaliação e seu registro são vistos como uma importante ferramenta à disposição da equipe pedagógica, em especial às professoras, tanto para interpretar e avaliar as crianças quanto o próprio trabalho. Sua análise tem a função de instrumentalizar às professoras na construção de alternativas cada vez mais reflexivas para o percurso pedagógico.


Mas o que direciona nossa escuta pedagógica e nossos registros (documentação pedagógica)


Registramos e analisamos diferentes aspectos dos percursos educativos. Abaixo apresentamos uma lista temática desses aspectos, embora estejamos certas de que ela não esgota o universo de potencialidades e dificuldades das crianças: regras e combinados, socialização; autonomia, independência e iniciativa; uso do espaço escolar; uso dos objetos escolares; roda de conversa; movimento; a criança e a natureza; linguagem: música; brincadeiras; linguagem: arte; linguagem oral e fala; linguagem escrita (letramento); alfabetização: compreensão do nosso sistema de escrita; literatura; linguagem matemática; projeto de pesquisa.


Registros da avaliação da aprendizagem


Os registros são desenvolvidos durante o ano, numa construção coletiva realizada entre as coordenadoras pedagógicas, professoras, crianças e pais e são compostos por:

Avaliação inicial: Trata-se do registro escrito e imagético, feito no início do ano, a partir das primeiras observações/escuta sobre/de cada criança, referentes a: interação no grupo, participação nas propostas, múltiplas linguagens, autonomia, organização dos seus pertences e da sala, iniciativa/dependência, uso do banheiro. Trata-se, portanto, de uma avaliação diagnóstica com objetivo de conhecer cada criança e essas no interior do grupo. Esses dados auxiliam a professora em seu planejamento e suas ações junto a turma.


Avaliação individual permanente: Seguindo os mesmos critérios de escuta descritos na avaliação inicial, a avaliação permanente tem o objetivo de acompanhar o desenvolvimento e a aprendizagem da criança. É uma avaliação que auxilia a professora nas intervenções cotidianas e seus efeitos sobre a criança, contribuindo para o ajustamento do trabalho pedagógico referendada nas necessidades percebidas.


Avaliação final: atrelada à avaliação inicial e a permanente, está a avaliação final. Nessa, são considerados e contrastados os dados relativos à criança identificados no início e durante o ano ou de um percurso previamente determinado.


Como organizamos os dados das avaliações e seus registros


Portfólio individual: contém textos escritos (recadinhos) e imagens, como fotografia e desenho, por exemplo. Isto porque, em especial, apoia a memória e “leitura” do material pelas crianças pequenas. Nosso propósito, com isso, é criar condições para a criança se identificar e se manifestar diante da interpretação da professora sobre sua história escolar, atribuindo sentido e até mesmo ressignificando sua experiência.


Os “recadinhos” ou mini-histórias vividos individualmente ou nas interações entre as crianças e adultos são enviados para casa dando oportunidade aos pais de acompanhamento dos filhos.


Boletim Informativo: “Notícias da Meninada” é o título desse boletim, que trata do registro da avaliação coletiva permanente. A estruturação desta documentação é realizada, na maior parte das vezes, com as crianças, que, em roda de conversa, selecionam os tópicos que serão abordados. A professora direciona a seleção, fazendo também suas análises e sugestões. Desta maneira, além de comunicar às famílias sobre o trabalho pedagógico, criamos, para as crianças, um contexto de retomada das vivências, avaliando-as, registrando-as e ressignificando-as.


No caso das crianças menores, de 1, 2 e 3 anos, a professora seleciona o conteúdo do boletim informativo a partir de sua observação sobre experiências que pareceram significativas para o grupo.


Tal como os registros individuais, “Notícias da Meninada” contém escrita e imagens com vistas à associação das informações e ampliação das interpretações pelas crianças.


Reunião avaliativa individual: é realizada com a família de uma determinada criança. Na ocasião, além de compartilhar observações, escutar os pais e, se necessário, orientá-los na busca de uma ajuda profissional para complementar o atendimento à criança, fazemos, posteriormente, anotações com o objetivo de registrar pontos centrais. São realizadas por demanda da escola ou das famílias.


Reunião avaliativa coletiva: as quatro reuniões de pais, por turma, previstas no calendário, têm os objetivos de informar e dialogar com as famílias as diretrizes e as ações pedagógicas realizadas com as crianças. São apresentados relatos, imagens (fotográficas e filmagens), produções das crianças, registros no mural que apoiam a organização do cotidiano e revelam propostas realizadas junto à turma no dia-a-dia. Sempre que oportuno, as crianças participam da reunião apresentando algum projeto desenvolvido, participando de jogos, brincadeiras e cantorias, por exemplo.


Relatório final individual: Documento de circulação interna, produzido pelas professoras contendo informações particulares de cada criança, quando das mudanças de turma. É registrado em formulário próprio, abordando os aspectos que guiam nossa escuta pedagógica, supracitados.


Destacamos, por fim, que o conjunto de documentação, individual e coletiva, permite atestar os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança. Além disso, se constituem como potente ferramenta de formação de pedagógica para todos os envolvidos, em especial, para a equipe de professoras.

[1] GANDINI E GOLDHABER. Duas reflexões sobre documentação. In.: GANDINI, Lella; EDWARDS, Carolyn. Bambini: A Abordagem Italiana à Educação Infantil. Trad. Daniel Etcheverry Burguno. Porto Alegre: Artmed, 2002


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